(De notar que esta análise faz parte da republicação de algumas análises do PSGames Power, o blog a que este sucedeu, e esta análise algo reajustada agora, é originalmente de 2018)
O primeiro jogo de um estúdio é sempre algo interessante de se ver, algo que muitas vezes pode ser o inicio de um tema pelo qual o mesmo será conhecido, temos estúdios que se dedicam a fazer jogos do tipo arcada por exemplo, como pode ser só algo simples para marcar o inicio da jornada e que não irá definir o percurso desse mesmo estúdio, no caso da Painted Black Games, espero que isto seja o inicio de uma jornada por experiências mais imersivas.
Dito isto, The Long Reach é daqueles jogos que eu simplesmente fico num estado de não saber bem o que dizer, é um jogo de horror único e é dos poucos que me deixam sem palavras, o primeiro jogo deste estúdio indie é uma experiência que apesar de não ser nada de relativamente novo no género, dá-nos uma jornada simplesmente fenomenal, é algo que me lembra jogos como Lone Survivor (e por bons motivos, sendo uma das inspirações do estúdio,) ou por exemplo Uncanny Valley. A sua história revira em volta de 1 personagem, Stewart, um ajudante de laboratório em termos de música numa experiência envolvida em mistério e segredo, mas que rapidamente ficamos a saber do que se trata mas sem grandes informações ao inicio, pelo que a mesma tem o objetivo e foco de se descobrir uma nova forma de transmitir conhecimento quase de maneira instantânea, mas é aqui que algo corre mal e começam a sentir-se efeitos secundários vindos da realização das experiências desta pesquisa, que levam a eventos trágicos dentro e mesmo fora das instalações subterrâneas onde decorre tudo isto inicialmente.
Um conceito interessante que este jogo toma é que apesar de nos meter com um papel principal no papel do personagem em questão, vai levar-nos em momentos a passar pelo papel de outros personagens, e isto para nos chegar a dar contexto até de eventos anteriores, mas um dos objetivos d esta mecânica será dar-nos uma ligação mais elevada com os mesmos, e tornar os momentos da história algo mais marcantes, algo engraçado será que até nós iremos ser afetados pelos efeitos secundários da experiência que se realizava, e vamos poder ver como isto vai acabar a afetar não só a vida do nosso personagen mas também de outros de uma maneira trágica.
No final do dia a jogabilidade toma o rumo de jogos mais ao estilo de point n’ cick, vamos ver-nos várias vezes em busca de certos objetos ou a encontrar uns quantos para usar na resolução de certos puzzles necessários para avançar na história, não será nada de dificuldade acrescida mas alguns irão dar algum trabalho na busca da sua solução, o esquema aqui é o habitual, mantermo-nos atentos ao pormenores de diálogo, notas no local e mesmo alguns comentários próprios do nosso personagem, muitas vezes e como de costume isto será sem dúvida o que nos vai ajudar a encontrar uma solução.
A jogabilidade é nos apresentada numa perspetiva 2D aliás todo o jogo assim é visualmente está claro, num formato mais retro pixelizado, com uma aproximação de side-scroller que jogos do género têm tomado como base nos últimos anos na cena indie, a questão é sempre saber usar este tipo de direção artística para beneficiar de maneira correta toda a atmosfera e experiência que o jogo pretende dar, neste caso The Long Reach faz isto de maneira fenomenal, desde luzes intermitentes, sinais de destruição, marcas e rastos de sangue, tudo aqui está bem conseguido e aliado a uma OST mais sombria e com intuito até de criar suspense.
Por fim como disse, The Long Reach não se mostra como a querer inovar, mas sim a querer passar uma experiência única no género de horror, dá-nos tudo o que podemos e devemos de esperar de um jogo que se apresente como The Long Reach se apresenta na sua premissa e no inicio do jogo em si, em nenhum momento se torna algo desapontante e tem uma qualidade de diálogos entre personagens e decorrer de história espetacular. Recomendo vivamente a todos os que gostem do género e do estilo em que este jogo se apresenta.
The Long Reach sendo o primeiro jogo deste estúdio posso dizer que é soberbo ver a qualidade final com que se apresenta, penso que demonstra a qualidade da equipa do estúdio em si a entregar experiências do género, e espero que isto marque o passo para mais experiências imersivas vindas da Painted Black Games, e dentro do género de horror em si, merecendo uma nota final de 9/10.







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