Se gostam de combate por turnos alguma fantasia e a temática de gladiadores então apresento-vos Bloodgrounds, que conta com uma multidão a lançar o semelhante a confetis no final das vossas vitórias na arena…ou dos vossos oponentes.
Este jogo de estratégia por turnos que vem do estúdio Exordium Games que realisticamente antes disto só produziu 1 jogo de estratégia que nem tem tanto a haver com o que nos é aqui apresentado, pelo menos em PC porque de resto focaram-se em jogos mobile. Nisto ele foi publicado pela Daedalic Entertainment que sinceramente para meu agrado é uma das editoras que mais me inspira confiança com coisas como Shadow Tactics: Blades of the Shogun, os Point N’ Click de Deponia, nem vamos lembrar aqui o LOTR: Gollum porque esse não joguei e sei que é uma mancha no editora e na franquia mas vamos recordar as coisas boas como as que mencionei.
Portanto um estúdio mais habituado a jogos mobile e uma editora por norma de bons lançamentos que se aliaram, ou ia dar bem ou ia correr mal, e é isso que eu andei a descobrir.
A Ideia de ser um Patrono!
A história entrega-nos uma tragédia em que o nosso pai ao ser acusado de crimes que nunca cometeu é arremessado para as arenas de gladiadores connosco no seu encalce, o tema da nossa mãe nunca é abordado. Nisto num fatídico combate ele morre e ficamos sozinhos, obrigados a defender-nos, nunca é explicado ou demonstrado como sobrevivemos contra criaturas míticas ou oponentes com idade para serem nossos avós em forma e prontos para combate, mas também não é algo que nos fique na cabeça.
Entramos em acção no dia em que será o nosso último combate antes de sermos libertos, sendo que o mesmo serve de tutorial às mecânicas de combate lá está, após a vitória, se tudo correr bem claro, somos libertos, e caminhamos em direcção à cidade de Marevento e propriedade que o nosso pai nos deixou, algo que eu não consigo imaginar para ser sincero, mas é isto que ocorre. Somos acolhidos por Bahir que já servia o nosso pai, nos ajuda a organizar e perceber inicialmente a cidade e os seus locais como o cemitério, o edifício principal que serve de câmara municipal onde podemos construir ou fazer upgrades de edifícios de serviços como a enfermaria onde os nossos gladiadores podem recuperar vida ou de condições físicas ou mentais, a taberna onde encontramos novos candidatos a gladiadores e por ai fora que depois vou abordar, mas basicamente podemos gastar ouro para desenvolver a cidade onde nos arredores se encontra a nossa propriedade e que usamos a cidade em si para os nossos interesses de sermos um patrono de gladiadores a gerar riqueza.
A história em si, é rebuscada pelo simples facto de não ser um pouco mais desenvolvida, em que ficamos a pensar como raio é que o miúdo sobreviveu até à fase adulta a combater durante mais de 20 anos, sendo que já se podia ver que tinha alguma idade quando aconteceu tudo, em que não consigo acreditar que estivesse preparado ainda mais contra bestas nas arenas, simplesmente não consigo, ainda mais era romano, se ainda fosse um coisa da Grécia Antiga e o passado dele fosse vir de Esparta, ok ainda aceitava, fora isso nem por isso, e ainda menos consigo acreditar que mais de 20 anos depois ainda tivesse património ao qual regressar.
Podiam ter trabalhado aqui um pouco mais isto, ainda mais quando é suposto seguirmos uma demanda de vingança contra o imperador romano que foi quem incriminou o nosso pai e nos fez passar por aquilo tudo, sinceramente, senti aqui a história como algo secundário, não sendo algo mal de todo porque o jogo segue uma linha que reconheço de coisas como Darkest Dungeon, em que segue mesmo, não acredito que esteja mal de todo, mas um ponto ou outro podiam ter sido mais polidos ou feito algo diferente talvez, porque é que temos de ser uma criança que virou gladiador após a morte do pai que tinha sido incriminado e era um por esse motivo. Felizmente isto é só um elemento secundário para dar lugar a uma experiência final onde o verdadeiro foco é a jogabilidade.
Não é só Chapadas de Luva Branca Neles!
Em termos de jogabilidade vão encontrar aqui um misto de um jogo de estratégia por turnos, em que a gestão feito no hub do jogo me lembram bastante de Darkest Dungeon sem dúvida, seja de termos uma enfermaria que serve para curar ou deixar gladiadores em tratamento para remover condições dos seus stats como trauma por terem visto companheiros a cair em combate ou têm algum osso partido, e são coisas que vão afetar o seu desempenho em combate e afetar pontos de acção imaginem, trauma vai pôr a iniciativa do gladiador a 0 até ser curado, ou seja ele ou ela vai ser sempre o último combatente a agir na ordem de acção de turnos, ou foi envenenado/a e isto vai causar danos no fim de um turno, etc…, mas de entre isto têm a taberna para recrutar novos gladiadores, ou o local de treino onde podem desbloquear habilidades para os vossos guerreiros e deixá-los em treino para ganhar XP pois em combate estão bloqueados a 3 gladiadores mas podem ter outros em treino para acompanhar.
Não será só isto que fazem no hub mas a utilização do mesmo é simples, o desenvolvimento do mesmo também, a gestão dos vossos guerreiros não será muito técnica, pelo menos senti isso, mas o que escolhem desbloquear, o equipamento que colocam neles, os consumíveis que têm e escolhem levar para combate vão fazer uma diferença impactante no desenrolar dos combates, isto pelo menos se jogarem na dificuldade Champion que foi a que escolhi pensando que me ia arrepender mas que foi surpreendentemente equilibrada entre o ser fazível e ter momentos de desafio real a testar as minhas capacidade de táctica e combate estratégico, em que o bónus de recompensas de XP e não só acabam a compensar a meu ver.
A parte mais cativante é claro os combates, em que vão ter de avançar nos desafios de dificuldade e trilhar o vosso caminho em direcção às outras arenas tendo até um set de objectivos para ir fazendo de maneira a desbloquear pontos de história e avançar a mesma, e não só, mas focando na jogabilidade e nos combates vão poder levar por exemplo até 3 gladiadores para combate. A arena começa com os vossos 3 alinhados no lado oposto aos 3 da equipa oponente, e, até aqui tudo bem, mas quando começa a acção recomendo colocar a velocidade de acção no máximo porque sinceramente senti a velocidade de acção regular lenta a acontecer, mas é uma preferência. Avançando é aqui que começa a diversão, o verem o tipo de inimigos que vão enfrentar, podem clicar em cada um para ver habilidades, escolher o posicionamento dos vossos guerreiros e guerreiras tendo em conta obstáculos na arena que vão impedir um ataque vosso mas também dos oponentes, se mantém a vossa “equipa” junta ou se dispersam, se vale mais a pena não agir de todo um deles para ganhar um escudo de protecção para a ronda, etc…
Toda esta táctica para ser simples mas mesmo sendo comparando com jogos por vezes mais desafiantes em combate estratégico por turnos como Divinity: Original Sin 2 que é um RPG com combate por turnos táctico, mas mesmo assim a sua simplicidade e nível de exigência mais baixo em comparação com o que mencionei por exemplo, fazem com que o nível de frustração nem seja tanto mas mais ligado a erros que podemos considerar parvos que levam à morte de 1 ou de todos os nosso gladiadores em combate, mas em que correndo tudo bem ou dentro dos conformes para avançarmos entre combates dos desafios que podem ter por exemplo 4 combates com uma pausa de recuperação entre eles seja possível ter uma sensação de recompensa na mesma, e em que vamos ter de pensar na combinação de classes dos gladiadores que vamos levar, por exemplo de levar um guerreiro com um ranged e um mago se calhar até pode ser uma boa ideia, mas levar 3 guerreiros pode resultar no primeiro ou segundo combate, mas no terceiro que a dificuldade já puxa para cima pode correr mal não termos uma opção que nos possa curar ou atacar à distância.
Não fosse isto suficiente temos ainda de considerar a disposição de armadilhas no terreno que são acionadas ao fim de X turnos, que podem ser benéficas como uma fonte de recuperação de vida que espalha água na área em volta, ou pode ser uma mini torre que larga gás venenoso, já noutro combate podemos ter isso tudo e ainda alterações no terreno em que algumas peças de grelha do mesmo vão alternando entre normais e terem propriedades elétricas de causar dano ou deixar guerreiros atordoados sem conseguir agir, e no meio disto a decisão mais estratégica de todas por vezes que é no final poder dar por vezes, nem sempre, misericórdia a um oponente poupando a sua vida e vendo o mesmo a juntar-se a nós.
Toda esta táctica, decisões de equipas, que habilidades vamos atribuindo aos nossos gladiadores, que equipamento damos a quem, vai ser divertido, leve a meu ver pois isto não é um RPG, tendo alguns elementos, não é um na mesma, consegue puxar por nós mas deixar lugar para um ambiente descontraído a meu ver em que o tom geral é sério, mas a dificuldade fica a meu ver entre algo que pode ser para introduzir jogadores ao género de estratégia e gestão, mas ao mesmo tempo agradar a quem já conheça o género e procure algo mais leve.
Uma Dose Isométrica com um Toque de Blasphemus?
Uma coisa que me cativou bastante foi ainda antes de meter as mãos neste jogo ter visto uns screens promocionais em que a arte do jogo me chamou logo à atenção porque parecia ser um estilo mais retro 2.5D desenhado em que em momentos me lembrava o Blasphemus mas mais claro e não tão sombrio.
A realidade aqui é que esse estilo nota-se mas nota-se também numa componente de os modelos de personagens em combates serem 3D e que a perspectiva e movimento da câmara do jogo transparecem mais aquela primeira sensação. No entanto mesmo com essa minha percepção esclarecida agora o jogo não deixa de ser visualmente cativante em que fora dos combates temos um hub em 2D de Villa digamos, aliás a realidade é que é uma “cidade” mais coisa menos coisa, mas Villa dá-lhe uma propriedade mais imponente do status Romano a meu ver, soa mais a liderança e fortuna inerente, mas isto são as minhas pancadas.
No entanto a arte do jogo entre ecrãs de carregamento emanam um estilo de estátuas algo eróticas mas sombrias de certa maneira, os desenhos das personagens que nos são apresentadas dão um certo toque acrescido ao apelo visual da experiência, temos também alguns seres mitológicos como já mencionei antes não ficando o jogo só por elementos mais realísticos, temos sim algumas criaturas como faunos, já para o lado mais 3D ou 2.5 em combate ainda apanhamos minotauros que vêm equipados quase ao estilo de Thor com martelo e tudo, que lançam magia eléctrica como se não bastasse e ai vem outra coisa, o uso de magias ou ver modificadores de cenário com efeitos em terrenos também deixa ali uns efeitos engraçados com animações por norma bem conseguidas.
Não sei se podiam estar algumas mais bem feitas como gelo, ou efeito de terreno eléctrico feito de outra maneira mas sinceramente tendo em conta toda a qualidade geral é algo menor, também acredito que os retratos de personagens podiam estar um pouco mais bem desenhados. Depois de ter jogado o primeiro Darkest Dungeon fiquei um pouco mais picuinhas talvez nestas questões porque é um jogo visualmente mais simples em animações e elementos a meu ver mas que emana uma certa qualidade muito bem entregue e que aqui esperava um pouco mais por exemplo, se calhar nada tão detalhado como os retratos de personagens de Baldur’s Gate 1 mas se calhar melhor do que me parecerem algo genéricos por vezes nos personagens que não têm retrato de máscaras ou que sejam uma criatura “fantástica”.
Ou seja em certos pontos não está mal de todo mas acabam a ser coisas um pouco menores a meu ver, também há ali por vezes alguma situação ou outra que me aconteceu de equipar armadura nos personagens e a mesma não se refletir nos mesmos mas depois outras já, deixou-me na dúvida se era um glitch ou se simplesmente certos equipamentos não estavam preparados para alguns modelos dos personagens.
Falando de coisas menores, a banda sonora. Ou fui eu que não a senti como algo relevante o suficiente ou simplesmente não prestei atenção, como a maioria do jogo se passa em acção nas arenas não a senti relevante o suficiente, achei mais interessante o som de clicar do meu rato, de teclas no teclado, dos ataques dos gladiadores que não eram nada de diferente de tantos outros jogos mas que estão aqui bem alinhados com as acções dos personagens e ainda me perdi mais no som da audiência dos combates que de si não é nada demais quando ocorre entre turnos. Em termos de melodia no hub do jogo a mesma tem ali acompanhamento de sons de passarinhos para elevar a sensação de tranquilidade e reflexão de momento de calma antes da tempestade que são os combates, ou em outros momentos normalmente se for de noite tem alia a sua misticidade a trespassar para o jogador, nada ao nível de caminhar pelas ruas da cidade de Atenas no God of War original da PS2 mas também não é mau.
Portanto no fim foi esta a minha conclusão no áudio, pouca ênfase no que toca nos combates, talvez por ser tão genérico ao tema e não ter um certo “impacto” que acaba realmente a ficar como um elemento esquecível, mas, que no resto está bem executado o suficiente e alinhado com o conteúdo que acompanha para podermos dizer que não é marcante em nenhum aspecto mas está bem feito.
Será que a Vida de Patrono de Dia e Gladiador de Tarde Compensa?
No fim do dia a minha conclusão é que se procuram um jogo de estratégia por turnos leve mas com um toque de dificuldade o suficiente para puxar por vocês quando se sentirem preparados para aumentar a dificuldade, Bloodgrounds é uma excelente escolha em que sinto que a história podia ser menos rebuscada, sem esquecer que a OST que acompanha não é nada em particular mas que o estilo visual do jogo e a sua jogabilidade compensam bem alguma falta de polimento que o jogo demonstre.
Se gostam de temática romana com toques de fantasia e gladiadores experimentem pelo menos a demo na Steam e avancem sem medos para experiência disponível em Early Access sendo que esta análise foi feita com a V0.13.0_ea, em que pela experiência actual tudo isto parece-me ir dar lugar no final a um jogo bastante sólido no geral.
Esta análise foi feita com uma chave gentilmente cedida pela Daedelic Entertainment.









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