Especial - Um Rapaz e o seu Refúgio Radioativo de Verão

Sim, ainda tenho a minha cópia.

Worten Telheiras, 2012, meio do verão, entro lá em busca do que iria ser a minha grande aventura daquelas férias escolares, olho para uma prateleira de jogos PS3 e vejo Dragon Age, até senti a tensão a pensar em como me ia aventurar num mundo de fantasia medieval, agarrei nele, quando, de repente, como quem não quer da coisa aparece ao lado Fallout 3, Platinum, com um membro dos BoS a olhar para mim como se me questionasse se realmente ia ter coragem de o deixar para trás...

Esta é uma das duas fotos que tirei ao meu F3 para montar a imagem de capa do post, e decidi partilhar pois ainda foi nos tempos de que os jogos traziam os seus manuais, e este tinha um interessante de se folhear.

Isto para dizer que 13 anos depois estamos de volta a Fallout, quer dizer, eu estou de volta a Fallout ao 1 no PC mas mais concretamente ao 4 na PS5, não sei bem explicar  bem o que é mas dos da era moderna o 4 é o que me cativa mais, e engraçado que há 13 anos atrás o 3 serviu-me como o meu refúgio de verão e agora o 4 está servir para o mesmo efeito, o que é interessante porque seguem a linha do 2 e do New Vegas que foram um refúgio de verão para mim também em outras alturas, é como se tivesse criado uma tradição para mim próprio, só que o 4 apesar de me perder nele desde 2018 só agora em 2025 é que fiz sem me aperceber o que tinha feito com outros anteriormente, e todos eles serviram um mini propósito em pontos diferentes da minha vida.

Dos da era moderna em que eu chamo era moderna o ponto em que passou a ser a Bethesda por detrás da franquia o 4 é o que me cativa mais, talvez seja o mundo do jogo, talvez seja uma maior fluidez de movimento comparativamente com as entradas anteriores do estúdio, não sei bem, porque apesar de haver ainda alguma rigidez nos personagens, temos de admitir que temos ali umas animações mais suaves, basta olhar para os Feral Ghouls a lançarem-se no ar para cima de nós, mas no meio disto mentira seria dizer que não gostava de voltar a ter uma entrada ao estilo isométrico e de combate por turnos como os clássicos, aliás o 2 continua a ser o meu jogo favorito (ou grandes favoritos), mas quando isto tudo passou para as mãos da Bethesda realmente deu para sentir que teve ali meio que uns solavancos na qualidade de contar história e mesmo na qualidade de NPC’s a meu ver, e sinceramente mesmo tendo havido alterações ou adaptações no resto de sistema/mecânicas de RPG que vinham das entradas principais anteriores, os clássicos, que demonstravam qualidade e definiam em parte a franquia como o sistema V.A.T.S. em combate por turnos, eu mesmo assim adorei quando pus as mãos no 3.

Lembro-me de passar verões da escola a jogar o Fallout 2 que me tinha sido oferecido na revista BGamer, isto numa época em para mim ter um jogo novo era à base de se fosse de PlayStation e era 2x por ano se tivesse sorte, se fosse de PC era capaz de ter mais sorte na questão de me poderem comprar a BGamer, mas depois passava um bocado por aquela experiência de ter um portátil básico de 2003 disponível para mim que conseguia correr jogos até meados de 2001/2002 com muita sorte mas tudo o que fosse dai para a frente ele já não aguentava ou suportava sequer salvo rara excepção, por isso ficava ali acondicionado mais a clássicos.

A vida não era fácil e a abertura das casas de usados em força foi o que me proporcionou o passar de 2x ao ano com sorte para 1 jogo mais ou menos a cada 3 ou 4 meses assim até um valor simpático de 10€. Eram tempos complicados na vida, e isso claro refletia-se em outras questões mais concretamente no objectivo de tema deste post que é o meu grande hobby, gaming, naquilo que me deixava desafogar um pouco da realidade e me deixava entrar em outros universos e pensar que a vida ainda podia ter uma certa magia, mesmo que fosse naqueles momentos virtuais, o que mais pude vivenciar  no mundo virtual eram contos onde a esperança prevalecia, a determinação e perseverança falavam mais alto que as adversidades por norma, em que a coragem e justiça valiam mais que receio ou o medo e dai, me faziam ter esperança que um dia as coisas podiam melhorar.

Isto tudo para preparar o contexto de que lembro-me de ler sobre Fallout 3 e me sentir entusiasmado, mas depois de ficar um bocado triste porque ia sair em PC e nas consolas da geração actual na altura de PlayStation e Xbox, portanto PC era para esquecer, Xbox infelizmente uma possibilidade bem longe e fora de mão no horizonte e quanto a PlayStation bem, eu ia ter uma PS3, eu só não sabia quando é que isso ia acontecer, ou quando é  que iria sequer haver a possibilidade para começar a pensar em tal, mas eventualmente aconteceu, demorou tanto tempo que eu na altura a minha mente divagou ao ponto de me chegar a esquecer sobre o jogo, até que certo dia, armado com 10€ na mão que do que me recordo até tinha sido a minha avó a dar-me, e acompanhado do meu pai na altura, entrei na Worten de Telheiras, isto em 2012 por altura do Verão, o meu pai precisou de lá ir à zona e eu acompanhei, já não era bem nenhuma criança, muita turbulência a ocorrer na altura na minha vida, perto de ir fazer os meus 18 anos e sem ver que alguma coisa tivesse ainda mudado, a minha avó de vez em quando e de quando em vez que via o neto punha-lhe 10€ na mão, típico do que as avós por vezes faziam e ela não fugia muito à regra nisto, e eu ali entro pela Worten a dentro e vejo o Dragon Age para a PS3, edição Platinum e pensei é agora que jogo isto, mas olho para o lado e vejo Fallout 3, Platinum, €9,99 eu fiquei a olhar para aquilo e aquilo a olhar para mim, como se fosse um momento decisivo, um momento único na minha vida, algo marcante, e foi ai que sem pensar muito agarrei nele e pensei o Dragon Age que se lixe pá, há de haver outras oportunidades.

E foi assim que entrei no mundo de Fallout da Bethesda, e apesar da história rebuscada, e de uma certa qualidade de NPC’s assim a ir de interessantes e divertidos a só estás aqui para realmente encher chouriços, eu tive dos melhores momentos na minha vida de gamer com aquele jogo, adorando tudo, não vendo defeitos e deixando-me realmente perder no cenário desolado de uma Washington D.C. pós nuclear que Fallout 3 nos tinha para oferecer, joguei e rejoguei e voltei a jogar tantas vezes, em parte porque não tinha grandes hipóteses, noutra parte porque queria ir explorando tudo e por vezes queria ir fazendo algumas builds de perks variadas ou tomar decisões diferentes em certos pontos, como entre rebentar ou não com Megaton.

Melhor que isto só quando joguei New Vegas que feito pela Obsidian, que continha malta do desenvolvimento dos clássicos, elevou realmente a qualidade do mundo e história a outro nível até trazendo personagens de volta como Marcus, não muitas, mas, trazia uma ou outra de volta, tal como o 3 até trouxe o Harold, mas pronto, New Vegas tinha uma ligação mais profunda aos clássicos e fez uso disso, a única queixa que podia fazer era da má optimização que o NV tinha na PS3 em concreto que chegou ao ponto de eu entrar no jogo e ter bloqueios de 5 em 5 segundos, ter de andar a olhar para o chão e tudo para aliviar o peso de carregamento do jogo, e isto ao ponto de não conseguir mesmo fazer nada, e ter de ir recomeçando saves para ir explorando parte diferentes do jogo sem criar um peso digamos assim.

Anos mais tarde corria o ano de 2018, lá comprei eu a minha PS4 e pude aventurar-me em Fallout 4 que naquele ponto não era um jogo muito prévio a eu adquirir a consola, mas que me deixou com uma vontade enorme de o jogar desde a sua revelação e fiquei bastante contente de ter demorado menos tempo que o 3 a eu poder pôr-lhe as mãos. E o que posso dizer é que em termos de história temos algo bem mais trabalhado do que se podia ver no 3 e vou usar o 3 como termo de comparação porque o NV é uma exceção digamos, o mundo do jogo bem mais elaborado e bem construído, um comportamento mais interessante em termos de inimigos mas isto mais no caso de eles darem luta, porque em termos de engenho nem por isso, pois têm aquele comportamento genérico de esconder um bocado, disparar, procurarem cobertura de novo e fazerem avanços sobre nós, sinto é que têm uma variação entre eles de stats muito irregular sinceramente, ao ponto de terem um que matam com uma bala e o outro ao lado precisa que descarreguem uns 4 carregadores por exemplo.

Até aqui as histórias secundárias dão-nos um valor acrescido de interesse em continuar a jogar e em querer descobrir quantas mais existem, há umas bem genéricas de ir aqui e descobrir isto, mas outras envolvem alguma construção mais elaborada de argumento que mesmo de leve se aprofundam na maneira como nos cativam, por exemplo a The Secret of Cabot House, que vos vê a descobrirem uma família que está viva sem envelhecer há séculos, com tudo a girar em volta do patriarca da família, Lorenzo, e de um artefacto de uma civilização anterior aos humanos, e até a maneira como interagimos com companheiros pelo jogo é mais interessante com um sistema de desenvolvimento de relacionamento que nos permite aprofundar se estamos em bom pé com eles ou não, o eles gostarem ou não das nossas acções, que vai levar a que aprofundando isto eles se vão abrindo um pouco connosco e mesmo contando parte da vida deles ou pontos interessantes, dando por fim até alguns benefícios extra ao nosso personagem.

Captura feita por Gaming Power PT

E depois a questão de podermos ter bases onde colocar companheiros, recrutar settlers até e em que podemos usar um sistema de construção para colocar defesas, energia, decorações, recursos e até criar um pequeno comércio leve entre estas bases ou povoações, como preferirem, e é uma mecânica bastante engraçada, pena as limitações acrescidas de área de construção mas pronto, tudo isto leva a que tenhamos elementos quase survival de recolha de materiais, ou de desfazer/desmontar objectos, armas e outros equipamentos de maneira a obter ditos materiais e recursos, e no meio disto podemos ainda modificar e melhorar armas e equipamento com modificações, e mesmo as power armours, aliás a quantidade de power armours que dá para ter e algumas variantes mais únicas que podemos encontrar é ridiculamente divertido para mim.

O jogo tem uma vida própria que apesar de defeitos que tenha, de por vezes haver muitas linhas de demandas que não vivem a fasquia ou que se nota serem só mais trabalho repetitivo de busca de algo ou de limpeza de uma zona, que têm muitas outras demandas e tantas outras coisas que vos vão manter entretidos, interessados ou pelo menos a mim o fizeram, e ainda mais com as expansões que o jogo recebeu a introduzirem novas áreas, personagens e histórias ainda mais bem trabalhadas como Far Harbor, perco-me por horas de volta disto, aliás perdi-me na PS4 e agora novamente na PS5 com a versão meio enhanced que a Bethesda lançou, em que se pode notar algumas melhorias mas nada do outro mundo a meu ver sinceramente.

Captura feita por Gaming Power PT

Fallout é daquelas franquia que por norma me posso perder durante horas a fio seguidas, e é o que tenho feito novamente no 4 na sua versão PS5, tenho uma grande estima por esta franquia e que apesar de falhas que possa e venha a ter nunca me desilude, cativa-me sempre com o seu ambiente desolado pós nuclear, deixando-me com o querer explorar todos os recantos de maneira a encontrar tudo o que puder e houver de interesse, seja personagens novas, seja inimigos especiais, seja vislumbres por terminais pessoais ou holo cassetes com informações de experiências secretas que eram feitas no mundo pré-nuclear do jogo, ou simplesmente histórias de pessoas de como supostamente era tudo antes da desolação ou dramas que elas viviam.

Captura feita por Gaming Power PT

Terminando eu digo tudo isto no último trecho até do Fallout 76 que foi um spin-off que me deixou mais em baixo mas que acredito que melhoraram bastante desde o seu lançamento, e mal posso esperar por ver o que o Fallout 5 nos vai entregar, e este post serve mais como uma partilha breve e simples desta franquia na minha vida, em que me deixava e deixo perder nos seus mundos desolados por horas a descobrir todos os recantos em busca de conseguir passar por tudo o que aquela experiência tem para me oferecer, e como apesar do avançar dos anos e de mudanças na direcção da franquia em termos de jogabilidade mais propriamente dito, tudo isto  não me fez perder o interesse mas sim continuar a cultivá-lo.

E vocês que chegaram até aqui, que experiências têm para partilhar connosco?

Captura feita por Gaming Power PT

Captura feita por Gaming Power PT

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