(De notar que esta análise faz parte da republicação de algumas análises do PSGames Power, o blog a que este sucedeu, e esta análise algo reajustada agora, é originalmente de 2018)
Freedom Planet vai agora chegar à Switch no dia 30 de Agosto e de notar que vem com grandes inspirações em jogos como Sonic, Rocket Knight Adventures e não só da era dos 16 bits e nos apresenta esses elementos com máxima qualidade, mas será que mesmo assim se destaca ou fica como mais um clone?
O jogo em si tem 2 modos (3 se contarmos o Time Attack) de jogar em que um nos leva de stage em stage directamente para a acção e o outro nos deixa seguir uma linha de plot com cutscenes e voice acting fenomenais que nos contam como Lilac, Carol e Milla se juntam a Rocket que é um alien de uma força da paz, para impedir que o malvado Lorde Brevon, também ele alienígena, consiga obter uma pedra preciosa do reino do jogo que lhe vai permitir duplicar o tamanho do seu exército e lançar uma força de assalto imparável sobre o universo.
Nisto o desenrolar da nossa aventura vai-nos dando algum background sobre as nossas heroínas que infelizmente não é tão direto ou claro quanto se podia esperar, mas que mesmo assim se vai dividindo em ramificações de maneira muito simples e bem conseguida sobre os 3 reinos do jogo em si no que toca às suas relações de diplomacia que não são as melhores e em que vamos ser levados a viajar para fora do nosso até a serviço do nosso governante, em busca de obter a tão dita pedra preciosa que é no inicio do jogo roubada por Zhao, o governante de um dos 3 reinos, pena é que no meio disto o jogo não seja longo o suficiente para ter uma duração mais completa das história e portanto estes bocados de diplomacia e afins entre os reinos acaba a ser algo a ignorar pois o que interessa é que temos um alien para parar. Também de mencionar que a personagem que escolhemos no modo de história vai dar-nos algum conteúdo de história diferente sob a personagem e ter outro mais concreto em falta mais concreto sobre a personagem, sendo que a melhor personagem a escolher para pelo menos um story run é Lilac sendo a que vai ter menos deste impacto.
A história tem um sentimento de humor presente mas sublime que lhe confere um tom leve aliado a um contar dramático por vezes como era até costume em jogos deste tipo da era dos 16 bits que eu adorei ver aqui representado. Não vou adiantar muito mais da jornada em si pois tal como o jogo em geral, ela merece toda a vossa atenção ao ser jogada mas posso dizer que é dos pontos meio tremidos da experiência visto de uma forma geral e isto porque apesar de interessante vai sendo um pouco vaga demasiadas vezes. Por exemplo sobre o background das nossas heroinas, eu por vezes ficava a pensar se perdi alguma coisa ou se não havia esse trecho ou informação realmente presente ou apresentada em qualquer momento de todo. Também nisto podem haver alguns momentos de cutscenes que para alguns jogadores não vai fazer grande sentido estarem a ser contados ou mostrados e que integram tempo pessoal das personagens e não realmente momentos ligados diretamente à história do jogo e devo admitir que realmente não fez grande sentido ter esses bocados.
A jogabilidade se jogaram algum dos jogos que mencionei ou outros já sabem mais ou menos o que vos espera. Existe uma presença forte das inspirações mencionadas neste jogo com as plataformas de salto por mola, os caminhos que fazem espirais e aqui até secções verticais que passamos a correr e afins, senti só que faltava um spin dash a certa altura para parecer que estávamos a jogar com o Ouriço Azul. Mas Embora tenha este sentimento desenganem-se se pensam que é um clone pois a jogabilidade destaca-se sozinha e separa-se de toda a inspiração a 100% deixando-a como isso e não transformando a mesma no sentimento de lá está estarmos a jogar um clone. Vamos poder jogar com 3 personagens como disse sendo elas Lilac que é um dragão, Carol que é uma gata sevalgem e Milla que é suposto ser um cão salsicha e a jogabilidade entre elas muda um pouco nos seus ataques e até na habilidade especial.
Com Lilac podemos por exemplo executar uma espécie de dash horizontal e vertical que de maneira engraçada tem efeitos como o power dash ou turbo dash do Rocket Knight em que podemos bater em superfícies como paredes para dar um ressalto continuo entre superfícies e assim até percorrer aberturas de espaços na vertical para chegar a outras plataformas, a única questão nisto é que não existem por norma locais suficientes a fazerem-nos dar uso a isto o que acaba a ser um pequeno desperdicio e tal como o Rocket Knight acaba a ser um toque desperdiçado em que nesse só era algo usado a 100% num dos níveis mais para o fim do jogo em que tinhamos um cenário a cair e tinhamos de avançar pelas aberturar andando no local horizontalmente enquanto o teto estava a descer/abater-se. Também temos uma espécie de double jump que faz um ataque do tipo pontapé rotacional e que ainda nos faz elevar um pouco no ar.
Com Carol temos um moveset semelhante a Lilac mas em que quando salta em vez de rotação ela consegue fazer uma suposta planagem. Também consegue ter alguma aderência a superfícies como paredes para ficar agarrada nas mesmas deslizando nelas para baixo devagar o que dá jeito em algumas situações. Já o seu ataque especial é um combo de pontapés seguidos e é a única personagem capaz de invocar uma mota para usar ao apanhar latas de gasolina no cenário, e de mencionar que esta mota consegue por exemplo ser veloz e ter uma aderência tão grande que se agarra por vezes a certas plataformas na extremidade de baixo ficando a Carol de cabeça para baixo e em que podemos assim fazer um trajeto para subir a plataforma.
Já com Milla senti que é a que se diversifica mais entre si das outras personagens sendo capaz de saltar e bater as suas orelhas para fazer uma pequena ascensão no ar, mas também consegue invocar blocos de energia paras as suas mãos e arremessá-los a inimigos ou combiná-los com o seu ataque de laser para fazer uma projecção do laser (quase) devastadora. Também consegue fazer depois ataques singulares de laser com menos poder e consegue apanhar certos objetos como armadilhas bombas espalhadas nos cenários e arremessá-los. Por fim ainda consegue escavar em certas partes dos cenários para encontrar por exemplo cristais que são os coleccionáveis dos níveis aparte de outros elementos. No meio disto tudo Milla é a minha personagem favorita muito sinceramente seguida de Lilac, já Carol tem o seu quê de interesse mas acaba a ser uma cópia de Lilac com uma habilidade de planagem não muito efectiva e em que a melhor coisa nela também é de certa maneira um gag do jogo, em que sim adivinharam, a mota.
Mesmo com isto tudo dito a jogabilidade do jogo sente-se com uma personalidade própria no fim do dia e consegue ser estimulante em certos desafios e só tenho pena de em certos stages não haver uma presença mais forte de inimigos pois sentem-se algo vazios e até percebo o que tentaram fazer. Uma das minhas queixas na trilogia do Sonic foi o terem largado secções de puzzler para resolver certos quebra cabeças e assim secções dos stages e foi até algo que se ficou no primeiro em que podíamos empurrar blocos para abrir passagens ao colocar os mesmos em placas de pressão. Aqui temos várias secções algo interactivas como puzzler o que me deixou súper contente mas que acharam que para ter estas tinham de sacrificar um pouco uma presença mais forte de inimigos quando na realidade não tinham e a minha queixa neste campo é só isto.
Também pode haver a questão de que podiam ter alongado um pouco mais os stages em si que se podem sentir algo curtos por vezes, mas de resto só tenho a louvar o que foi feito, em que pegaram para mim pessoalmente em tudo o que eu considerei ser o melhor de alguns títulos da Mega Drive que joguei e que mencionei já até e compilaram tudo de uma maneira fenomenal para nos dar a parte de jogabilidade de Freedom Planet.
A parte visual é mais um campo em que este jogo brilha com um design de níveis soberbo nos seus elementos, conjugação de objectos, design de inimigos que é tão original quanto interessante de se ver e em especial neste campo nos bosses que estão espectaculares e cativantes. Os backgrounds neste jogo são um deleite aos olhos na maioria das vezes e isto é algo que eu noto sempre muito e ainda mais desde que joguei Sonic 2 do principio ao fim no ano passado, em que esse jogo tem dos melhores fundos em 2D que eu alguma vez vi e apesar de não conseguir superar, Freedom Planet fica muito bem colocado em termos de qualidade e aqui o design visual é mais um dos motivos para passar o jogo logo com a história, em que as cutscenes estão soberbas em animações fluidas e que se sentem naturais por cenários até dinâmicos no que ocorre em fundo como veículos a moverem-se e não só e é daquelas coisas em que melhor do que eu dizer é vocês verem. A OST também está muito boa a dar-nos tons e notas animadas com alguma sensação e rapidez para nos ajudar a manter aquele sentimento veloz na acção do jogo.
No fim apesar de algumas questões como a história e um outro pormenor das personagens jogáveis, só tenho a louvar em grande parte este jogo e digo-vos que na Switch é onde ele brilha por causa do elemento de portabilidade e porque a vontade de pegar nele e não o largar é tanta que a ideia de poder sacar a consola da dock e continuar a jogar é mais do que aliciante, mas sim obrigatória de se concretizar.
Deixo-o assim como uma excelente recomendação para a Switch mas que numa das outras plataformas também será muito bom e em especial se forem fãs de jogos de plataformas 2D pois vão encontrar aqui algo que demonstra a qualidade acima da média deste género com este estilo clássico da era dos míticos 16-bits. Por fim o jogo tem elementos de destaque próprios suficientes para se separar das suas inspirações de tal maneira que transcende o possível rótulo de clone sendo uma experiência própria sem dúvida e dai merecer a sua nota final.








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